Doença de Gaucher na infância

Portal de saúde sobre as principais especialidades da medicina.

Doença de Gaucher na infância

Esta doença rara e hereditária resulta de um defeito autossómico recessivo do metabolismo dos lípidos. “O serviço de remoção dos produtos celulares e gorduras não funciona. Estes resíduos acumulam-se em células exageradamente grandes, que começam a ocupar espaço e a comprometer o funcionamento dos órgãos”, explica Gabriel Tamagnini, director do Serviço de Hematologia do Hospital dos Covões, em Coimbra. Na grande maioria dos casos, a acumulação é feita no fígado e no baço, que segundo este especialista tem “tendência a “comer” as plaquetas, apresentando situações de hemorragia”.

História

Em meados do século XIX, depois de descrever o estado de uma mulher de 32 anos com o fígado e o baço muito “inchados”, o médico francês Philippe Charles Ernest Gaucher passou para a História da Medicina como o primeiro a identificar a doença de Gaucher.

Variações

A doença de Gaucher (DG) é um erro inato do metabolismo do grupo das doença lisossómicas de depósito, sendo mais frequente do referido grupo. é de herança autossómica recessiva, portanto com o risco de 25% a cada gestação de casal heterozigótico. A doença é resultante da deficiência beta-glicosidase ácida ou beta-glicocerebrosidase, que leva à acumulação de glicolípidos nos mácrofagos, principalmente no baço, fígado, medula óssea e pulmões. As manifestações clínicas ou fenotípicas da DG vão depender do grau de deficiência da enzima existindo três tipos: Tipo 1 forma não neuropática – afecta crianças e adultos com hepatoesplenomegalia, anemia, trombocitopenia, leucopenia e lesões ósseas; Tipo 2, forma neuropática aguda – afecta crianças com 4-5 meses de vida com quadro neurológico grave, hepatoesplenomegalia e comprometimento pulmonar e o Tipo 3, forma neuropática crónica – afecta crianças e adolescentes com quadro neurológico menos grave que o Tipo 2 e ainda pode comprometer o fígado, baço e ossos.

Causas

Os erros inatos do metabolismo (EIM) resultam da falta de actividade de uma ou mais enzimas específicas ou defeitos no transporte de proteínas e produzem manifestações em cada órgão desde a vida fetal à geriátrica.
A incidência a acumulativa internacional dos EIM é de 1:5000 dos recém-nascidos vivos.
A DG é um EIM do grupo das doenças lisossómicas de depósito sendo a mais frequente do referido grupo. A herança da doença é autossómica recessiva, podendo comprometer filhos de ambos os sexos. Os macrófagos com as inclusões do substrato têm uma aparência microscópica de “papel amassado” e são as chamadas células de Gaucher, que podem se encontradas na medula óssea, fígado ou baço.

A DG é resultante da deficiência de beta-glicosidase ácida ou beta-glicocerebrosidase, que leva à acumulação de glicolipídos nos macrófagos, pricipalmente no baço, fígado, medula óssea e pulmões. A DG ainda pode manifestar-se no sistema nervoso central por acumulação de metabólitos no tecido central.

Sintomas

As manifestações clínicas ou fenotípicas da DG vão depender do grau de deficiência de beta-glicosidase ácida e da acumulação de glicolípidos, que são variáveis. Existem três fenótipos descritos da DG:

– Tipo 1 (forma não neuropática): Afecta crianças e adultos, a idade de início dos sinais e sintomas é muito variável. A apresentação clínica típica é hepatomegalia, esplenomegalia levando a hiperesplenismo com progressiva anemia, trombocitopenia e leucopenia. O quadro clínico é ainda associado à fadiga, cansaço, plenitude gástrica pós-prandial e atrasos de crescimento em crianças. A acumulação de glicolípidos na medula óssea leva à osteopenia, lesões líticas, fracturas patológicas, dor óssea crónica, crises ósseas, infarto e osteonecrose. É descrita também uma maior incidência de tumores ósseos nos pacientes com DG. A progressão do quadro é, em geral, lenta ou variável, e a sobrevida pode ser normal, dependendo da gravidade das complicações. O tipo 1 é o mais frequente, correspondendo a 95% dos casos de DG, tendo uma incidência de 1:10000 a 1:20000;

– Tipo 2 (forma neuropática aguda): Afecta lactentes com 4-5 meses de idade, comprometendo fígado, cérebro, baço e pulmões. O quadro neurológico é grave, com múltiplas convulsões, hipertonia, apneia e progressivo atraso mental. A incidência é menor que 1:100000. A evolução é rápida, com morte nos primeiros dois anos de vida, em geral pelo envolvimento pulmonar.

– Tipo 3 (forma neuropática crónicas): Afecta crianças e adolescentes, a idade de início é variável, mas em geral no pré-escolar. Compromete cérebro, baço, fígado e ossos. A evolução do quadro neurológico é variável, mas menos grave que o do tipo 2. A incidência é menor que 1:100000. A sobrevida dá-se até à segunda ou terceira década de vida.

Tratamento

Crianças com Doença de GaucherO tratamento desta doença é feito com base na reposição enzimática (imiglucerase) das enzimas em falta no organismo dos portadores de DG. Nos pacientes do tipo 3, o tratamento deve ser introduzido precocemente, antes do quadro neurológico grave estar estabelecido.
O cuidado deve ser muito mais intenso quando o paciente é uma criança que já apresente comprometimento ósseo, mostrando a gravidade do seu quadro; este tipo de doente merece especial atenção para a prevenção de complicações mais graves na vida adulta, que podem levar até a uma limitação incapacitante. O tratamento dos pacientes com DG bem como de outros os erros inatos do metabolismo deve ser acompanhado de uma actualização frequente sobre estas doenças pois existe um grande número de pesquisas envolvendo a qualidade e eficácia da terapêutica.

O tratamento desta doença deve incluir para além do aspecto clínico, também o aconselhamento genético periódico, suporte psicológico, fisioterápico e nutricional devido aos problemas sociais e emocionais dos portadores de DG.

 

Fonte: Doencasdofigado.com.br

Conheça alguns médicos especialistas da área:
Fígado

  • Veja também


Hepatite C cresce dentro do Brasil

A hepatite é uma doença que não apresenta sintoma algum e quando alguma coisa aparece é porque tal problema...

Células do fígado salvam vida de paciente

Médicos ingleses a partir de implante de células de um doador conseguiram salvar uma criança doente Um grupo de...

Doenças do Fígado

Problemas no fígado: sintomas indicam quadro avançado Icterícia e inchaço abdominal são alguns sinais e alerta para formas graves...

Doença Hepática gordurosa não alcoólica na criança

DHGNA espectro de alterações hepática que acomete adultos e crianças, levando a infiltração gordurosa do fígado. Por definição não...

Doença de Niemann-Pick na infância

CITOMEGALOVÍRUS O citomegalovírus (CMV) pertence à família dos herpesvírus, a mesma dos vírus da catapora, do herpes simples e...

Transplante de fígado em crianças

A era dos transplantes de fígado em seres humanos é recente, iniciou há cerca de 30 anos, através do...

Quando se deve suspeitar que uma criança apresenta doença no fígado?

As doenças do fígado podem causar aumento do abdome pelo aumento do fígado, baço ou por ascite. Apresentam ainda...

Author: Redação

Share This Post On
468 ad