Mais de 50 anos do Primeiro Transplante de Coração

Mais de 50 anos do Primeiro Transplante de Coração

O ano de 1967 ficou marcado na medicina mundial. Mesmo sobre todos os apontamentos negativos aconteceu o primeiro transplante de coração na África do Sul, em dezembro. Além das dificuldades de se fazer algo nunca feito antes, o apartheid dividia a nação entre negros e brancos. Até mesmo o homem que recebeu o coração e o doador eram brancos. Não era aceito a ideia de um negro doar para um branco.

“Não havíamos imaginado nem um só segundo que esse sucesso fosse gerar tanta indignação pública”, contou a enfermeira Dene Friedmann, que na sala de cirurgias com azulejos cor verde água acompanhou há 50 anos a operação pioneira.

“Abutre, sádico, anormal” eram alguns dos insultos que chegavam de todos os cantos do mundo.

“Por favor, pare com essas operações. Um homem jamais deveria substituir um coração humano, já que o homem não pode substituir Deus”, afirmava uma carta em italiano.

Outra carta foi enviada da Austrália, com seu autor anunciando ao dr. Barnard que havia pedido à polícia da Cidade do Cabo que o prendesse o mais rápido possível.

Na ocasião, a revista francesa Paris Match também abraçou a polêmica com a manchete “A batalha do coração. Os cirurgiões têm esse direito?”.

No imaginário coletivo, o coração não é um órgão como os demais e sua carga simbólica é muito maior. “Naquela época, havia muitas questões éticas a resolver”, explicou a enfermeira.

Mas comunidade científica celebrou a proeza técnica e também muitos cidadãos aplaudiram o feito. “Um êxito mais importante que a exploração espacial” e “Ouvimos este batimento de coração no mundo inteiro” foram alguns dos comentários positivos.

Peito vazio

No primeiro andar do hospital de Groote Schuur, na Cidade do Cabo, durante uma noite que já anunciava a chegada do verão, Louis Washkansky ia receber o coração de uma jovem de 25 anos.

Na sala de cirurgia, Dene Friedmann se inclinou sobre o paciente anestesiado.

Em uma sala anexa, o dr. Barnard ordenou que desligasse o aparelho da doadora, Denise Darvall, que já estava com morte cerebral depois de um acidente de carro.

Em 12 minutos, o coração deixou de bater e foi levado até onde se encontrava Washkansky, de 53 anos.

Para Barnard era muito importante que o coração de Denise Darvall deixasse de bater.

O órgano foi colocado no peito aberto de Louis Washkansky.

“O coração permanecia inerte, sem sinais de vida”, contou Christiaan Barnard depois da operação.

“Esperamos um tempo – que me pareceram horas – até que começou a se distender lentamente. E, logo, houve uma contração do orifício da aurícula, seguida rapidamente dos ventrículos. E pouco a pouco começou a bater”.

O cirurgião sul-africano de 45 anos venceu nessa corrida os americanos, que também estavam a caminho de conseguir essa façanha.

E, em parte, o feito do sul-africano se tornou possível graças à definição médico-jurídica da morte distinta em ambas as margens do Atlântico.

 

Coração branco

Rumores na época falavam que um sul-africano negro, Hamilton Naki, teria participado no primeiro transplante, mas foi privado pelo governo do apartheid de qualquer tipo de reconhecimento.

Dene Friedmann esclareceu os fatos. Ela trabalhou com Hamilton Naki em muitas experiências realizadas com cães, antes do primeiro transplante humano.

Mas, 18 dias depois desse feito mundial, Louis Washkansky morreu. A necropsia revelou que a causa foi uma falha pulmonar e não de seu novo coração. O paciente, com um sistema imunitário debilitado, morreu por causa de uma pneumonia.

Diante da notícia, o dr. Christiaan Barnard, apelidado de “o homem com dedos de ouro”, chorou, recorda Friedmann.

Sua conquista, no entanto, o fez entrar para a História. A enfermeira contou ainda que o governo do apartheid, “encantado por ter, enfim, boas notícias para dar, acabou nomeando Barnard seu embaixador”.

 

Fonte: G1

Foto: Rodger Bosch/AFP

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Author: Redação

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