Brasil faz apenas 23% dos transplantes de coração necessários

Brasil faz apenas 23% dos transplantes de coração necessários

País ficou com mais de 900 casos sem atendimento em 2017. Os que aconteceram são dados graças às fatalidades nas grandes cidades, como a violência, é o que apontam os especialistas. Mais de 50 anos do primeiro transplante de coração, as pesquisas evoluíram, mas o Brasil não consegue dar conta dos pacientes que necessitam da cirurgia. Dessa forma a fila de espera cresce gradativamente.

Trezentos e oitenta brasileiros doaram e receberam um coração em 2017 – mesmo assim, a demanda estimada era de 1.638 cirurgias. Isso representa um déficit de 1.258 órgãos. As estimativas são da ABTO. Procurado pelo G1, o Ministério da Saúde não deu balanço dos transplantes e de sua participação no custeio dos procedimentos.

Os transplantes foram realizados por 36 equipes médicas, mas não ocorreram em todo o país.

Cirurgias nas capitais

Onze das 27 capitais fizeram transplantes de coração. Elas representam 87,3% de todas as cirurgias do tipo. O Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, fez a primeira cirurgia do tipo e atualmente ainda é o centro que mais faz o procedimento.

Entre as 27 capitais, São Paulo é a cidade que mais faz transplantes: 31% de todos os realizados no ano passado. Foram 118, sendo 69 no Incor. As regiões Sudeste e Sul fazem a maioria das cirurgias. O Norte não fez nenhuma.

“É agravante, mas nem tanto. A população do Norte é muito pequena e espalhada. Boa parte deles tem parentes no Sul e Sudeste, e acaba vindo se tratar. E isso não acontece só com transplante, acontece com câncer também, por exemplo”, disse Paulo Pêgo.

Fábio Jatene, vice-presidente do Conselho Diretor do Incor, é o médico que mais fez transplantes de coração no ano passado – foram 57. Ele acredita que, mesmo com essa centralização do serviço, a maior questão ainda é ter mais doadores.

Epidemia de violência

O G1 analisou os dados de cada um dos 380 doadores e transplantados em 2017 – gênero, idade, localização (veja infográfico abaixo).

Se os doadores fossem representados de acordo com a maioria, eles seriam homens perto dos 26 anos. São mais jovens em comparação com os países da Europa e, de acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Transplantes de Órgãos (ABTO), Paulo Pêgo, isso acontece devido à uma “epidemia de violência” que atinge o Brasil.

“Quem é mais exposto à violência é o homem jovem. Por tudo, ele corre mais no trânsito, ele bebe mais, assalta mais”, afirma.

Em seu livro “De Coração a Coração”, Marcelo Jatene, médico que atua na área desde 1989, fala do incômodo do que é chamado esse ‘paradoxo do transplante’.

Em países com índices menores de acidentes de trânsito e violência em geral, alternativas são apresentadas. De acordo com Pêgo, a Alemanha tem boa parte de seus transplantes com corações artificiais. É um caminho para salvar vidas, independentemente das doações.

“Eles [países europeus] têm menos órgãos e mais dinheiro. Na última década, tem aumentado muito a implantação de ventrículos artificiais. No Brasil, temos o contrário. Nós temos uma enorme dificuldade de aumentar o número de corações artificiais por uma questão financeira, porque é muito mais caro, mas temos mais órgãos”, disse Pêgo.

 

Custo dos corações artificiais

No Brasil, os especialistas avaliam que os transplantes artificiais têm um alto custo – o preço fica em média R$ 600 mil. Alguns projetos nacionais, usados em pesquisas, podem ter um valor mais baixo. Por enquanto, o Sistema Único de Saúde (SUS) não arca com as despesas, mas alguns planos de saúde pagam uma parte.

“Os corações artificiais estão sendo usados cada vez mais no mundo todo”, disse Jatene. “O problema é que isso está acontecendo principalemte no primeiro mundo. Os modelos não são simples, nem baratos”.

Evolução do tratamento

Desde o primeiro transplante da equipe de Euryclides de Jesus Zerbini, o procedimento evoluiu. Na época, uma das principais dificuldades era manter o paciente vivo devido à rejeição ao órgão.

Na década de 80, a ciclosporina, droga imunossupressora, foi aprovada e ocorreu uma forte alta no tempo de sobrevivência dos transplantados.

Jatene explica que a evolução das drogas pós-cirurgia não parou. Novos remédios foram incorporados – provocam menos infecções e controlam melhor a rejeição do coração.

“É um processo contínuo. Hoje a gente já usa várias drogas mais eficientes que a ciclosporina. O problema é que essas drogas, como todas as novas, são mais caras. Ficamos o tempo inteiro tentando fazer que isso se inviabilize”.

Desde o início de maio, o G1 entrou em contato com o Ministério da Saúde para falar sobre avanços na área e entender as chances de subsídio pelo SUS. O órgão não conseguiu agendar uma entrevista sobre o assunto.

Fonte: G1

Conheça alguns médicos especialistas da área:
Cardiologia, Destaques

  • Veja também


Tafenoquine: Medicamento que trata Malária em apenas uma dose

Doença atinge 8,5 milhões de pessoas ao ano. O medicamento Tafenoquine recebeu autorização dos Estados Unidos, agora outros países...

HIV e DST’s crescem no Brasil

O Ministério da Saúde mostra em recente levantamento o crescimento das DST’s e do HIV, os jovens são os...

Disforia pós-sexo: Problema causa tristeza após o orgasmo

O que deveria ser apenas o puro prazer acabou se tornando em tristeza. A disforia pó-sexo faz com que...

Bactérias se desenvolvem em próteses de crânio

As próteses de crânio são usadas para substituir partes do mesmo que precisaram ser retiradas. As bactérias encontradas foram...

Esporão, o que é e como surge?

A fasceite plantar ou fascite plantar é uma doença que atinge tecidos que fazem parte da sola do pé...

Dores nos Pés: Um sintoma preocupante

As dores nos pés atingem muitas pessoas no cotidiano. Os graus de dor são diferentes de indivíduo para indivíduo,...

Febre Maculosa: Doença transmitida por carrapatos matou 17 pessoas nesse ano

Ministério da Saúde mostra que no passado as mortes chegaram a 58. Dessa forma em estimativa não aconteceu aumento,...

A Tuberculose coloca toda América do Sul em alerta

Em busca de sanar com a tuberculose, doença que mata inúmeras pessoas por toda a América do Sul está...

Estudos apontam Jogos Lúdicos como peças primordiais as crianças

Os Jogos Lúdicos são atividades desenvolvidas que contribuem para o aprendizado das crianças, principalmente as que estão nos primeiros...

Estudos de terapia experimental curou paciente do Câncer de Mama

Hoje você vai conhecer a história de uma americana que passou por um autotransplante de linfócitos e que seu...

Author: Redação

Share This Post On
468 ad