Cirurgia Bariátrica

Cirurgia Bariátrica

Esclareça todas as suas dúvidas sobre as cirurgias bariátricas para redução de estômago.

Existem diversos programas que visam a redução do peso, os quais incluem supervisão nutricional, programas de modificação comportamental, dietas, atividade física orientada, medicamentos, balão intragástrico e até os procedimentos de cirurgia bariátrica.

A cirurgia bariátrica para o tratamento da obesidade é realizada há muitos anos no Brasil e no mundo.

No inicio, por ser o excesso de peso a preocupação principal, deu-se a este conceito o nome de cirurgia bariátrica, do grego baros que significa peso, e assim difundiu-se entre médicos e pacientes.

Parte de um programa de emagrecimento do qual faz parte uma equipe multidisciplinar de profissionais da saúde, a cirurgia bariátrica revolucionou a forma como se trata a obesidade. Não é à toa que, no final do ano passado, o Ministério da Saúde reduziu de 18 para 16 anos a idade mínima para realizar a cirurgia bariátrica pelo SUS, visto que o excesso de peso (obesidade) considerado prejudicial à saúde tem se tornado uma epidemia que atinge pessoas cada vez mais jovens.

Mesmo sendo tão divulgada, entretanto, ainda restam muitas dúvidas sobre a cirurgia bariátrica. Muitas pessoas sequer sabem, por exemplo, que existem quatro técnicas diferentes de cirurgia bariátrica reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), as cirurgias bariátrica aprovadas, são: Banda Gástrica Ajustável, Gastrectomia Vertical, Bypass Gástrico e Derivação Bileopancreática.

Para saber como cada uma destas cirurgias bariátricas funcionam, confira algumas perguntas e respostas realizadas para alguns médicos especialistas em cirurgia bariátrica:

Quais os pré-requisitos para indicação da cirurgia bariátrica?
“A indicação da cirurgia bariátrica, independente da técnica, é baseada em quatro fatores: grau de obesidade, tempo de evolução da doença, tentativas de tratamentos anteriores e a presença de doenças associadas”, explica o cirurgião do aparelho digestivo Denis Pajecki, membro do Departamento de Cirurgia Bariátrica da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

O que define a escolha de uma ou outra técnica da cirurgia bariátrica?
Primeiramente, é necessário reforçar que a escolha da técnica a ser usada é do médico e não do paciente, afirma o cirurgião bariátrico Almino Ramos, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). “Só ele saberá avaliar qual o melhor procedimento para tratar a obesidade e possíveis doenças associadas, como diabetes, sem oferecer grandes riscos ao paciente”, aponta. Um paciente que precisa perder muito peso, por exemplo, deveria ser submetido ao tipo de cirurgia bariátrica mais invasivo, pois ele resulta em uma perda maior da porcentagem de peso. Se esse paciente apresentar idade avançada, entretanto, o médico pode optar por um procedimento menos complexo para não colocar a vida do indivíduo em risco. “A escolha é feita caso a caso e depende de inúmeras variáveis”, complementa.

Qual o tipo mais complexo e o menos invasivo de cirurgia bariátrica?
Segundo explica o cirurgião bariátrico Almino, a cirurgia bariátrica com Banda Gástrica Ajustável é a mais simples de todas e, consequentemente, a que leva a menor porcentagem de perda de peso. Em segundo lugar, vem a Gastrectomia Vertical, que já inclui corte, sutura e uso de grampos. Depois dela, a mais complexa é a cirurgia bariátrica com Bypass Gástrico que além da redução do estômago também cria um desvio no intestino do paciente. Por fim, a que leva a maior porcentagem de perda de peso, mas que também é a mais complexa é a cirurgia com Derivação Bileopancreática, pois o desvio do intestino é maior do que o da anterior. Veja na galeria ao fim desta matéria como funciona cada uma das técnicas.

Quanto tempo dura cada tipo de cirurgia bariátrica?
O tempo de duração de cada tipo de cirurgia bariátrica varia de acordo com as condições do paciente, de possíveis complicações e do médico que realizará a cirurgia bariátrica. De forma geral, entretanto, o cirurgião bariátrico Almino aponta que a banda gástrica leva cerca de 30 minutos, a gastrectomia vertical em torno de uma hora, o by-pass por volta de uma hora e meia e a derivação bileopancreática cerca de duas horas e trinta minutos.

Qual a anestesia usada em cada tipo de cirurgia bariátrica?
Segundo o endocrinologista Josivan Lima, membro do departamento de Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a cirurgia bariátrica pode ser uma cirurgia aberta ou realizada por vídeo-laparoscopia e, portanto, requerem o uso de anestesia geral.

Como ocorre a perda de peso após a cirurgia bariátrica?
De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo, Dr. Denis, a perda de peso após a cirurgia bariátrica ocorre por conta da restrição alimentar a que o paciente é submetido com a cirurgia, a menor absorção de nutrientes e do aumento do metabolismo.

Com a Banda Gástrica há perda de 20 a 30% do peso inicial; com a Gastrectomia Vertical, 30 a 40% do peso inicial; com o Bypass é possível perder de 40 a 45% do peso inicial e com a Derivação Bileopancreática, o paciente perde de 40 a 50% do peso inicial.

Todos os tipos de cirurgia bariátrica ajudam no controle do diabetes tipo 2?
“Pacientes com obesidade e diabetes tipo 2 que se submetem a qualquer um dos tipos de cirurgia bariátrica apresentam melhora do quadro de diabetes, pois a própria gordura gerava resistência à ação da insulina”, aponta o endocrinologista Josivan. Se o controle será total ou parcial, depende de inúmeros fatores, como idade, gravidade do diabetes, tempo de convivência do paciente com o problema, etc. De modo geral, as cirurgias com desvio intestinal (Bypass Gástrico e Derivação Bileopancreática) são as mais eficazes no controle da doença por meio do estímulo à produção de hormônioComo é o pós-operatório da cirurgia bariátrica?
“Depois que a cirurgia bariátrica passou a ser feita com vídeo-laparoscopia, a recuperação do paciente melhorou muito, pois de incisões de 15 ou 20 centímetros, passamos a quatro ou cinco furinhos de um centímetro cada no abdômen”, aponta o cirurgião bariátrico Almino. Assim, o tempo de internação costuma durar dois ou três dias e atividades rotineiras podem ser retomadas após um período de 10 dias. Carregar muito peso ou fazer exercícios intensos são liberados apenas depois do primeiro mês.

Em relação à dieta, há algumas recomendações básicas também. Na primeira semana, o paciente deve se alimentar apenas com líquidos. Na segunda, as refeições se tornam mais cremosas. Na terceira, podem ser consumidos alimentos com a consistência de um purê. A partir da quarta semana, começam a ser introduzidos alimentos sólidos na dieta. O objetivo é que o paciente tenha uma dieta equilibrada a partir das fases de adaptação. A suplementação costuma ser necessária também e deve ser alinhada com o profissional que participa do programa de emagrecimento do paciente.

9. Há risco de engordar novamente?
De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo Denis, uma recuperação de 10 a 15 quilos do peso mínimo atingido é considerado normal. “Ganhos mais acentuados estão, na maior parte das vezes, relacionados ao abandono do programa e à adoção de maus hábitos, como consumo excessivo de carboidratos e intervalos grandes em jejum”, explica.

 

Conheça as principais cirurgias de redução de estômago:

Balão Intragástrico


Como o próprio nome já diz, é uma esfera oca de silicone inserida por endoscopia no interior do estômago e, portanto, não é um procedimento cirúrgico.

Quando insuflado com uma solução de soro fisiológico e azul de metileno, irá ocupar mais ou menos 2/3 do espaço do estômago, causando a sensação de saciedade (estômago cheio).

Após 7 meses, deve ser obrigatoriamente retirado, também através de endoscopia.

Gastrectomia Vertical


Trata-se de uma operação minimamente invasiva, realizada por acesso vídeo-laparoscópico (com pequenas incisões menores que 10mm) e com o uso de grampeadores (aparelho que corta e sutura), em que é retirada a área do estômago que produz o hormônio grelina, responsável pela sensação da satisfação da fome (saciedade).

Com a redução do tamanho do estômago, o paciente ingere menores quantidades de alimentos.

Bypass ou Gastroplastia em Y de Roux


É uma operação minimamente invasiva, realizada por acesso vídeo-laparoscópico (com pequenas incisões menores que 10mm), em que se busca, além da saciedade, a inibição dos estímulos de vários hormônios intestinais responsáveis pelo controle das doenças metabólicas (diabetes, colesterol alto, hipertensão etc).

É construído um novo estômago muito menor que o anterior. Em seguida, realiza-se um desvio intestinal em que o alimento (pequenas bolas no vídeo) caminha sem o contato com os sucos digestivos (líquido amarelo no vídeo) por um segmento intestinal. Após este desvio, há novamente a união dos alimentos (bolas) e dos sucos digestivos (líquido amarelo).

Essa manobra é responsável pela inibição da produção da grelina – hormônio relacionado à saciedade – e pelo incentivo à produção de outros hormônios como PYY, GLP 1 e GIP, responsáveis pela redução do peso e controle do diabetes 2 e das demais doenças metabólicas (colesterol e triglicerídeos elevados , esteatose hepática,etc.)

Banda Gástrica Ajustável


É um procedimento cirúrgico, portanto, requer internação hospitalar tanto quanto qualquer outro. O acesso à cavidade é feito através de vídeo-laparoscopia (sem cortes), em que é colocado um anel de silicone ao redor do estômago, criando-se uma pequena câmara gástrica semelhante a uma ampulheta.

Nesta câmara, o alimento passará mais lentamente, levando o paciente a ingerir menores porções de alimentos. A correta mastigação é sempre importante, porém após a colocação da banda gástrica é imprescindível, pois evita o desconforto ao paciente que comumente engole os alimentos antes de mastigá-los o suficiente.

Este anel de silicone é ligado por um cateter (tubo) a um portal implantado abaixo da pele do paciente (junto aos músculos) e através do acesso ao mesmo, pode-se aumentar ou diminuir a passagem dos alimentos, dependendo das necessidades de cada paciente.

 

Fonte: Centro de Cirurgia Obesidade e Metabólica.

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Author: Redação

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