Neuroimagem aprofunda estudo do cérebro

Neuroimagem aprofunda estudo do cérebro

Como o cérebro responde aos estímulos do mundo externo? Esta é a pergunta que pesquisadores do Instituto do Cérebro, um dos setores do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP), pretendem responder com a criação de um banco de dados de neuroimagem.

O estudo teve início em outubro de 2004 e, durante um ano, realizou exame de ressonância magnética funcional em 37 voluntários normais, acompanhantes de pacientes do Hospital Israelita Albert Einstein.

Cada voluntário passou por um teste de cerca de uma hora. Por meio de um software especial (chamado ‘Eloquence’), acoplado ao equipamento de ressonância magnética – tecnologia inovadora e aplicada pioneiramente no Brasil (conhecida como ressonância funcional em tempo real), foram captadas imagens do cérebro no momento em que a pessoa realizava atividades de linguagem, visão, sensibilidade e movimentação das mãos.

Em um dos testes, por exemplo, era apresentada uma letra ao voluntário e ele precisava formar palavras que começassem com ela. As imagens – cerca de 4800 por pessoa – mostram a região cérebro envolvida em formular a resposta. Assim, é possível avaliar qual a distribuição de áreas cerebrais relacionadas às funções motora, sensitiva, de linguagem e de visão.

É necessário conhecer quais as características dessas áreas cerebrais em nossa população, para que padrões diferentes da normalidade possam ser identificados nos pacientes.

Apoio às cirurgias

“É necessário conhecer quais as características dessas áreas cerebrais em nossa população, para que padrões diferentes da normalidade possam ser identificados nos pacientes. Essa informação contribuirá para futuras aplicações da ressonância magnética funcional em casos nos quais sejam necessárias informações para planejamento de neurocirurgias, radiocirurgias ou, eventualmente, em investigações sobre o funcionamento cerebral em pacientes”, explica o dr. Edson Amaro Jr., radiologista e coordenador da pesquisa, que envolve uma equipe de profissionais de várias disciplinas (físico, radiologista, biomédico, psicólogo, cientista da computação).

Além disso, toda a tecnologia de informática para armazenamento de dados foi criada, pela equipe do Instituto do Cérebro para a pesquisa e está sendo bem avaliada por instituições internacionais, como a Universidade de Tel Aviv, em Israel, e o King’s College, em Londres, na Inglaterra. Ambas as instituições se interessaram em conhecer e utilizar a solução brasileira.

O grupo de neuroimagem do IIEP também realizou – em parceria com a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) – estudos de imagens moleculares. Foi realizado o primeiro estudo no país com marcador de transportadores de dopamina – TRODAT – SPECT. Esta técnica poderá ser utilizada como ferramenta para auxiliar na pesquisa de diagnósticos, como o da Doença de Parkinson. Nesse caso, é injetada uma substância radioativa no paciente, que marca os neurotransmissores de dopamina. Assim, é possível verificar se a pessoa está produzindo a substância, que tem índices menores em casos de Doença de Parkinson.

Próximos passos

Para a realização de estudos de neuroimagem foi criado um programa de rede de pesquisa que abrangeu todo o Estado de São Paulo, realizada pela principal agência de pesquisa, a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Nesse programa, o IIEP foi selecionado como um centro principal da rede, juntamente com três universidades (USP, Unifesp e Unicamp). É a primeira vez que uma instituição privada faz parte de um grupo de pesquisa sobre o cérebro: o Projeto CInAPCe (Centro Integrado para Apoio à Pesquisa do Cérebro). O investimento daFapesp é de cerca de US$ 140 mil e a contrapartida do IIEP é colocar à disposição seu equipamento de ressonância magnética de 3 Tesla.

O objetivo do estudo é verificar o conjunto de áreas de linguagem que o cérebro destes pacientes utiliza e compará-lo com os resultados dos voluntários normais

Para 2006, devem ser iniciados exames de ressonância funcional em pacientes com tumores cerebrais. O objetivo é verificar o conjunto de áreas de linguagem que o cérebro destes pacientes utiliza e compará-lo com os resultados dos voluntários normais. A ideia é, em aproximadamente cinco anos, lançar mão da ressonância funcional para avaliação do paciente antes da cirurgia, e cujos resultados possam ser concretamente utilizados na rotina de tratamento oferecida a cada paciente.

Utilizando imagens de TRODAT-SPECT espera-se detectar modificações no transporte de dopamina, que possam ser utilizadas em outras doenças – como esquizofrenia e distúrbio obsessivo-compulsivo – e avançar nas subdivisões das síndromes parkinsonianas, correlacionando as imagens à genética.

Instituto do Cérebro

Em menos de três anos, o Instituto do Cérebro – IC consolidou as principais plataformas de pesquisa, necessárias ao desenvolvimento das neurociências, contribuindo significativamente para o estabelecimento da infraestrutura e de recursos humanos essenciais a uma atividade assistencial de ponta em neurologia.

O IC conta com grupos de pesquisa em neuroimagem, neuroncologia, neurologia experimental, neurologia clínica e neurofisiologia.

Atualizada em novembro/2009

 

Fonte: Hospital Israelita Albert Einstein.

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